Apelidada Bancada ruralista ou do boi, a FPA apresenta o setor como um ator comprometido com o desenvolvimento nacional e atento aos problemas do país, sem, no entanto, ser capaz de reconhecer a responsabilidade do agro como peça necessária na adaptação climática do Brasil, afirmam Ana Silva Rosa e Debora Donida da Fonseca em artigo ao Nexo Políticas Públicas.
As pesquisadoras do LAUT identificam dois movimentos argumentativos centrais, sustentados por uma retórica de vitimização, nos cinco Projetos de Lei pesquisados, votados em maio e junho – PLs 5122/2023 (junho) e 2486/2026, 364/2019, 2564/2025 e 5900/2025 (maio).
Mobilizando a categoria de vítima, o agro reivindica compromisso com desafios ambientais ao mesmo tempo em que defende o enfraquecimento da proteção ao meio ambiente, que diz impedir o seu crescimento.
A FPA propõe aumentos no financiamento e anistia de dívidas do setor, enquadrando essas medidas como efetivação de compromissos ambientais, construção de ‘resiliência climática’, desenvolvimento sustentável e efetivação de compromissos ambientais.
No entanto, promove uma agenda que implica no desmonte de mecanismos de proteção ambiental, mineração e regularização de ocupações em terras públicas e redução da proteção de vegetações nativas não florestais, alegando segurança jurídica, amparo a produtores tradicionais, fortalecimento da ‘governança ambiental’, diálogo institucional, ‘equilíbrio e racionalidade’ na fiscalização ambiental.
Essa estratégia tem efeitos sociais e econômicos de longo prazo.
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