Como ganhou força a ideia de que ser livre é igual a poder escolher? Atualmente, a noção de liberdade como um direito humano sustenta demandas que vão do aborto ao homeschooling (educação de crianças em idade escolar realizada em casa, pelos pais). Irrefletida no debate público, a associação entre liberdade e escolha seguia insondada pela produção acadêmica até a recente publicação de The Age of Choice: A History of Freedom in Modern Life (A era da escolha: uma história da liberdade na vida moderna, em tradução livre), da historiadora norte-americana Sophia Rosenfeld.
Segundo Rosenfeld, a associação das noções de liberdade e de escolha remonta ao século 18. E, embora os agentes e os materiais analisados no livro sejam sobretudo do Atlântico Norte, o processo é global: abrangeu da França à Argentina, dos Estados Unidos à Indonésia, da Inglaterra à Índia.
O argumento central em The Age of Choice é que a liberdade se associou à escolha a tal ponto que se tornou sinônimo de liberdade de escolher. A autora afirma que isso aconteceu porque os próprios agentes se constituíram como sujeitos e emprestaram significado ao mundo, em uma série de práticas de escolha: na religião, no casamento, na política e na ciência.