Principal ferramenta para combater o autoritarismo é a prevenção

‘Como desarmar o autoritarismo no Brasil’: é preciso aprofundar as práticas que sustentam uma democracia saudável 

Principal ferramenta para combater o autoritarismo é a prevenção

Sem uma ação integrada de diferentes setores da sociedade, comprometidos com princípios democráticos, dificilmente alcançaremos um ambiente em que as disputas não se deem por meio da polarização entre a extrema-direita e o campo democrático. O livro Como desarmar o autoritarismo no Brasil (Tinta da China Brasil/LAUT, 2026) demonstra bem isso, elencando alguns temas fundamentais para compreendermos como se configura a asfixia de uma democracia em construção.

A publicação, organizada pelos pesquisadores Lucas Petroni, do Cebrap, Conrado Hubner Mendes e Fernando Romani Sales, do LAUT (Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo), reúne vozes que, nos últimos anos, se aprofundaram no debate público sobre segurança, evangélicos, internet, educação, justiça e outras “arenas”, ocupadas de modo sistemático pelo fascismo.

A partir dessas arenas, o extremismo é explorado no limite do que é considerado civilizado e, por vezes, atravessado pelo radicalismo autoritário de governos como os de Trump, Duterte, Bukele, Orbán, Erdogan — e agora também prometido por Keiko Fujimori. Essas mesmas arenas servem como mecanismos de estímulo à polarização e de manipulação emocional, aproveitando-se da fragmentação da informação e do ruído das redes.

Partindo da definição do filósofo queniano Quassim Cassam, o livro explora como o extremismo pode assumir três formas: extremismo “de método”, “ideológico” e “mentalidade extremista”. A primeira refere-se à adoção de práticas extremas; a segunda defende doutrinas incompatíveis com valores democráticos, e a última tem como principais características o dogmatismo e teorias de conspiração, levando à erosão das instituições democráticas.

O projeto explícito de dominação e poder pelo controle, marca do fascismo e do autoritarismo — bem como o racismo — participa da terceira forma, como uma das estratégias globais da extrema direita, coordenada através da censura à liberdade acadêmica; do uso das forças policiais em políticas deliberadas de violação à direitos nas periferias, a despeito de políticas de inteligência e resolução de crimes; e do total descontrole sobre as big techs e seus algoritmos, que se nutrem do ódio propagado por algumas lideranças e a desesperança da população.

Confira o artigo na íntegra.

‘Como desarmar o autoritarismo no Brasil’ está disponível em livrarias e no site da Tinta-da-China Brasil.