Nos últimos anos, o medo da “ideologia de gênero” tem somado multidões na cruzada contra os direitos LGBTQIA+. Essa retórica, associada à defesa das crianças, da família e da nação, ganhou destaque em contextos eleitorais no Brasil, Argentina, Itália e Estados Unidos, mostrando que dentre os vários inimigos criados pela extrema-direita, o pânico moral em torno do fantasma do gênero conecta agendas conservadoras globalmente.
Para compreender esse fenômeno, foi desenvolvido, no âmbito do PFP (Programa de Formação em Pesquisa) do LAUT, uma análise para refletir a partir de quais sentidos e afetos, a direita brasileira mobiliza a noção de “gênero” e do “combate à ideologia de gênero”, avaliando 55 PLs (Projetos de Lei) apresentados ao Congresso Nacional entre 2019 e 2024. O recorte temporal buscou abarcar desde os anos do governo de Jair Bolsonaro até o momento de elaboração da pesquisa que embasa este texto.